Como corri a XVII Meia Maratona Internacional do Rio 2013

Sabe aquele filme Antes de Partir, com Morgan Freeman e Jack Nicholson, onde os personagens, em estágio terminal, montam uma lista do que fazer antes de morrer, a tal Bucket List?

Bem, não fiz a minha Bucket List, mas se tem um item que eu sempre quis colocar numa possível lista era o de correr uma maratona. Ou metade dela 😛

Pois bem, em 2013 surgiu a ideia entre eu e um amigo de ciclismo/escalada/corrida de corrermos a XVII Meia Maratona Internacional do Rio 2013. Não somos atletas, apenas amadores, mas com experiência em alguns esportes, começamos a nos preparar. Sabíamos que o percurso seria praticamente plano, porém o calor poderia atrapalhar.

A breve preparação

Começamos a treinar cerca de 3 meses antes, treinando no mínimo uma vez por semana, mas por causa da falta de tempo, acabava sendo sempre uma vez por semana, onde corríamos uns 10 a 15km por treino. Nisso eu já percebia traços da minha personalidade, que quando é treino, não consigo fazer com muita vontade, ou seja, não conseguia treinar 20km ou mais.

Eu não seguia nenhum treino de personal trainer ou os que encontramos na internet, fazia o que achava conveniente e suficiente, inclusive após as corridas eu treinava sprints, correndo com 100% por uns 15s. Acredito que isso tenha me ajudado bastante.

Outro treino que eu tentava fazer bastante, era o de correr o mínimo possível com o calcanhar, procurando usar mais o meio e a parte frontal, poupando o calcanhar e a coluna. Inclusive foi nessa época que meu amigo Wagner me contou sobre um livro escrito por um americano sobre tribos mexicanas que corriam mais de 100km por dia de sandália ou descalços…

Como tenho um amigo que mora no Rio, acabamos ficando no apartamento dele, um cubículo de uns 30mª em Copacabana. Lá as construções são bem antigas, não é tudo novo como aqui em São Paulo..

Detalhe: nessa semana eu havia contraído uma virose que me fez perder bastante água e me deixou bastante fraco, mas felizmente eu já estava a uns 80%.

A corrida

O Rio de Janeiro é lindo e atrai muita gente para qualquer evento. Nem a chuva forte que começou a cair minutos antes da chuva atrapalhou o ânimo, mas por sorte a chuva cedeu um pouco poucos minutos antes da largada.

Não sei por que, mas sempre me dá um frio na barriga antes de algo grande que estou prestes a fazer, e lá não foi diferente, principalmente na cidade maravilhosa, afinal, para quem é de fora, tudo é bonito e legal.

A camiseta da maratona é muito bonita, num tom azul escuro com duas faixas amarelas nas mangas, lembrando as cores do Brasil.

A largada foi em São Conrado, na avenida Oscar Niemeyer, entre a Tijuca e Leblon.

O sinal tocou, mas só comecei a correr de verdade uns 5 a 10 minutos depois do sinal do início da corrida, tamanha a quantidade de pessoas; enquanto não começava, eu pulava para me manter aquecido e preparava o relógio que já marcava os batimentos cardíacos.

Começamos logo a subir a avenida Oscar Niemeyer, onde São Pedro começou a expulsar umas nuvens para iluminar o mar. Que vista magnífica! Os cariocas são mais receptivos, brincam com tudo, e vira e mexe algum corredor fazia piada. Eu e o Wagner combinamos que iríamos pegar leve pois ambos estávamos saindo de uma virose e resfriado, mas sabe como é a ambição humana né?

Essa parte era o único desnível da corrida, e como era bem no começo, conseguimos subir sem problema, aliás, vira e mexe se via algum afoito passando todo mundo. Ouvia-se muitos passos, pessoas falando e gritando “vem pra rua!” para os que assistiam de suas casas.

O tempo e os quilômetros passam mais rápido quando se está numa corrida dessas, pois diferente de uma esteira, você tem muita coisa para olhar, e não somente o reloginho na sua frente. Então quando descemos o morro, já estava marcando 5km de prova, e já podia tirar uma média do meu tempo por quilômetro: entre 5 e 6 minutos.

Além da preparação física, há a mental também, pois como você sabe que tem que correr 21km, naturalmente você acha que 5km corridos não são nada. Aliás, nem 10km são, pois na prática, é só a metade!

 

Uma das coisas mais legais de uma corrida de rua são as pessoas que vão lá só para assistir e, principalmente, apoiar. Gritam, incentivam. Talvez muitos nunca participaram de uma corrida, mas mesmo assim têm certa noção do desafio que é correr por duas horas (ou mais ou menos) sem parar, superando todas as adversidades. Essas pessoas não têm noção do quão importante é esse apoio que dão! É como se tomássemos fortificante!

Tudo ia muito bem, até apertamos o passo, o problema é que quase ninguém corria no mesmo ritmo que nós, então tínhamos que ir desviando, cortando as pessoas, ou seguindo atrás de alguém no mesmo ritmo, e tudo sem perder o Wagner de vista. Ora íamos por caminhos diferentes, ora seguíamos um na cola do outro, e foi nesses momentos que eu devo ter perdido de marcar a volta no relógio quando passava por uma marcação de quilômetro. Lembro que no final eu devo ter perdido uns 4 marcações de quilômetros…

Passamos a Vieira Souto e entramos na av. Atlântica, a famosa… reconheci a rua do nosso amigo, onde estávamos hospedados. Até ali tudo bem, nenhum sinal estranho no corpo, tudo perfeito apesar da virose. Ótimo! Era só curtir a vista.

O céu sempre esteve nublado, mas nem por isso frio. Devia estar uns 22º, mas como sou calorento, suava bastante, e por isso pegava sempre dois copos de água, um para tomar e outro para jogar na cabeça. Como eu procurava economizar, ficava correndo com o copo na mão por muito tempo, e aí cometi várias vezes um grande erro: eu jogava água na cabeça para me refrescar, e deixava a água cair pelo corpo todo, inclusive para o tênis, e vocês sabem, tênis molhado acaba criando bolha nos pés devido ao atrito. Eu sentia muita pouca dor, sabia que estava se formando bolhas, mas não pareciam muitas pois doíam pouco, porque meu corpo estava quente, mas mal sabia eu que haviam umas 4 a 5 bolhas enormes em cada pé, e que ao final, a maioria já tinha até estourado e sem pele…

Outro erro que eu cometia era que, para não ter que ficar desviando dos corredores lentos, eu corria pela sarjeta, bem próximo do pessoal que assistia. O problema era que, como a sarjeta era inclinada, o risco de uma torção era maior, mas nada disso aconteceu.

Já a partir de cerca dos 8km, com o corpo quente e já engatado, vem aquela sensação de que nada pode te parar. Você está tão concentrado e embalado que pega mais pesado, testa ainda mais seu corpo, e ele responde à altura. A adrenalina te ajuda a ir mais rápido e longe.

Da av. Atlântica, pegamos a av. Lauro Sodré e depois a av. Nações Unidas. Foi uma pena estar nublado, pois não pudemos ver o Cristo Redentor, mas pelo menos deu para ver o Pão de Açúcar.

 

Sem falsa modéstia, digo que eu estava bem fisicamente para a prova, pois em nenhum momento senti esgotamento físico. Estava cansando sim, as pernas doíam mas era uma dor muscular totalmente administrável. E quanto mais chegávamos ao final da prova, os mais lentos iam ficando para trás, Não fizemos uma análise, mas acredito que fizemos split negativo, onde a segunda metade da prova se faz em menos tempo que a primeira.

Cada um tem um jeito diferente de correr, e eu, para manter o ritmo, ajustava a respiração às passadas, onde a cada duas passadas eram duas inspiradas, e as duas outras passadas eram duas expiradas, e eu fazia com a boca e nariz juntos.

Ao chegarmos no km 20, como de costume, eu e o Wagner apertamos o passo, aumentando a velocidade ao máximo que conseguimos. Não faço ideia da velocidade, talvez uns 16km/h (bem longe da média dos maratonistas profissionais, rs), mas era como um tudo ou nada! Se não me engano, fizemos em 4 minutos esse último quilômetro!

 

E então cruzamos a linha de chegada! É uma alegria e satisfação enorme cruzar a linha e saber que você conseguiu com seu próprio esforço e com um ótimo desempenho.

Mas eu garanto que não teria conseguido esse desempenho se não estivesse com meu amigo Wagner. O importante é ter alguém junto que te puxa pra frente, que te instiga a fazer mais do que antes, a fazer sempre melhor. Você, em contrapartida, se sente obrigado a fazer no mínimo o mesmo que ele, e como ele não para, por que eu deveria? O único caminho era a vitória.

 

E foi assim que terminei minha primeira meia maratona, e tendo o melhor cenário para isso, o Rio de Janeiro!

Sensação maravilhosa a conquista de uma prova que testa os limites de uma pessoa comum…

Ao chegar em casa vi o estado que estavam meus pés, porém tínhamos que sair para almoçar e não tinha levado nenhum chinelo, o problema é que andamos bastante ainda, passeando e indo almoçar na Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas tudo valeu a pena.

 

Bucket List – Check!

PS: num próximo post eu relato como foi correr a XIX Maratona Internacional de São Paulo 2013

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Bike – Itu à São Paulo

Essa aventura aconteceu no Carnaval de 2013, mas só agora tive vontade de escrever.
Depois do Caminho do Sol, só pensávamos em qual seria a próxima viagem, pois viajar de bike proporciona uma experiência única sob novas formas de ver o mundo e interagir com as pessoas e o meio ambiente.
Tinha pesquisado vários roteiros para se fazer, roteiros já consagrados como o Caminho da Fé ou Estrada Real, só que esses são roteiros bem mais longos que o Caminho do Sol, logo exigem mais tempo. Então o Wagner achou o Circuito Costa Verde e Mar – CCVM, que é um roteiro em Santa Catarina pensado exclusivamente para cicloturistas, que percorrem o litoral e interior. No tempo comum seria fazer em 6 dias, mas como no Carnaval temos de 4 à 5 dias, teríamos que fazer em 3 dias, com 1 dia para viagem. Poxa, se no Caminho do Sol, que o recomendado é em 5 dias e fizemos em 3 e chegamos mortos ao destino, imagine este!
Eu fiquei encarregado de fazer as reservas, mas descobri que na maioria das cidades do trajeto, as pousadas só aceitavam reservas para o período inteiro. Também pudera, conversei com uma Secretária de Turismo e esta me contou que muitas pousadas sobrevivem em função do Carnaval, e no resto do ano fica praticamente vazio, salvo outros feriados, e como nós só queríamos 1 diária, não conseguíamos reservar nada.
Acabamos desistindo, e também o pessoal que estava interessado. O meu irmão já havia falado que ele curtia o passeio, não a aventura, e também era um recém casado. O Tanaka já tinha planejado viajar para o Rio. Sobrou eu e o Wagner. E no final eu acabei me comprometendo com algumas reuniões da Seicho-no-ie, e só me restariam 2 dias e meio.
Então o Wagner deu a ideia de fazermos uma trilha em Itu, e no outro dia voltarmos para São Paulo pedalando! Nós começamos a ficar independentes dessas rotas prontas e traçamos nosso próprio caminho a partir do Google Earth. O bom do Earth que é melhor que o Maps é que no primeiro tem a possibilidade de ver a altimetria, então traça-se uma rota, escolhe a opção de ir a pé (pois assim ele evita ao máximo rodovias, escolhendo estradas de terra) e verifica-se a altimetria para ver o nível de dificuldade.

O roteiro foi o seguinte:
– sábado à tarde – ida à Itu de ônibus com as bikes no bagageiro – domingo – trilha de bike com o Alessandro, amigo do Wagner – segunda – pedalada de Itu à São Paulo

O que continha no meu alforge:
– roupas para passear – chinelo – ferramentas como 2 câmaras, bomba, kit remendo, jogo de chaves – câmera, celular, carregador, éstojo impermeável – saco impermeável para mochila e alforge
No total chegou a 5kg, muito pouco.

Chegando no sábado à noite fomos recepcionados pelo Alessandro, que nos acompanhou até a pousada e saímos para comer uma pizza.
No domingo cedo já saímos para nosso passeio pela região numa trilha que o próprio Ale inventou, creio que foram uns 70% em estrada de terra e 30% em asfalto. O dia estava fresco e nublado, muito gostoso para pedalar pois o calor acaba sendo um grande vilão. Foi um treino muito bom, foram 65km em cerca de 4h. Voltamos, tomamos banho e o Ale veio nos buscar agora de carro, juntamente com sua esposa e a filha de 10 anos. Todos nos receberam muito bem e passaram a tarde toda com a gente! Deu para conhecer alguns cantos daquela cidade com bastante história para contar. Sei que não vão ler isto, mas deixo meus sinceros agradecimentos à ele, sua esposa e filha.

Mas vamos à aventura! Pena que não tirei nenhuma foto!
Tomamos um café da manhã reforçado e saímos do hotel às 8:30h. Devidamente equipados, acabei vestindo a camiseta de ciclismo… não curto muito porque parece que sou um super atleta e que estou fazendo propaganda… não! sou só um bicicleteiro! Mas dessa vez usei pois o Wagner me deu um rádio para nos comunicarmos. A princípio achei frescura, mas foi bom pois ele se distanciava bastante e vez ou outra precisávamos nos comunicar.

Perdemos uns 20 minutos pois demoramos para encontrar a estrada. Decidimos ir “por dentro”, pela estrada dos Romeiros, que é uma estradinha bem sinuosa e ondulada que margeia o rio Tietê, que apesar de sujo, é muito bonito pois a correnteza é forte e com grande volume de água. Nessa estrada que liga várias cidades passam muitos ciclistas, principalmente os que andam de speed. Até combinamos de voltar lá para pedalar de speed, mas desta vez estávamos de MTB com bagageiro e alforge! Ambos estávamos de bike nova, só que a minha era nova usada, uma Scott com grupo todo Deore, e a do Wagner era nova mesmo, uma Specialized aro 29, e convenhamos, que diferença! Na primeira pedalada ele já abria vantagem, não só pelo tamanho da roda mas também pela força dele. Realmente os asiáticos têm pernas mais curtas, o que acaba sendo uma desvantagem.
Justo nesse dia o sol apareceu de vez, não sei se para o bem ou para o mal, pois você transpira feito louco, precisando tomar bastante água. O ideal seria um tempo nublado e um pouco frio.

A primeira cidade que passamos foi Cabreúva, onde paramos para relaxar o corpo e comemos um belo lanche numa padaria. Eu não queria pensar nisso mas estávamos fazendo uma refeição ainda na primeira parada, achei que podíamos ter feito nas próximas para não cansarmos muito com a barriga cheia. No meio do caminho havia uma ou outra bica de onde pude encher meu camelbak, cruzamos com vários ciclistas e subimos muitas ladeiras. Aqui cabe contar uma máxima que eu descobri no ciclismo: tudo que desce sobe, mas nem tudo que sobe, desce. Na verdade o que acontece é que a descida é rápida, mas na subida você tem de pedalar a 2, 3km/h pois com carga, sol na cara e sabendo que faltam ainda 80, 70km pela frente, você tem que economizar o máximo de energia. Tinha inclusive uma subida de uns 4km intermináveis! A cada curva que fazíamos a subida continuava, e você não podia parar pois se parasse dificilmente voltava a pedalar. Acredito que fazer uma cicloviagem é um desafio a si próprio, onde você testa seus limites e até onde está disposto a ir. Com certeza absoluta o esforço de uma pedalada está em 80% na mente e 20% no corpo. Só que outro fato intrigante é que o ciclista tem memória curta, de forma que lembrando hoje, foi tudo muito gostoso e divertido, quando na verdade foi cansativo, não via a hora de ficar debaixo de uma sombra ou ter água gelada no caminho. Enfim…
Ah, outra coisa é que, de carro tudo é perto. Você vê uma placa que diz que uma cidade está há 8km e acha perto, mas de bike não é nada perto. Em 8km você pode encontrar o Himalaia, o Polo Sul, jacarés, rinocerontes e dinossauros. Só depois de vencer todos esses desafios que se consegue chegar no destino.
Em Pirapora do Bom Jesus paramos na mesma praça da igreja que paramos na ocasião do Caminho do Sol. Tomamos água, fomos ao banheiro, comemos um pouco de cereal e fomos embora em direção à Santana de Parnaíba.
Uma cpoisa muito engraçada foi quando estávamos saindo de Pirapora, paramos para perguntar à um morador qual o caminho para Santana de Parnaíba e esse nos disse: “tem que pegar aquela estrada ali, vocês estão de bicicreta? iiiih vocÊs vão suar um pouco hein! hahaha”. Na hora rimos do jeito de falar dele, mas quando viramos a esquina para pegar a estrada… era uma subida de uns 3km com uma inclinação quase que vertical! Uma hora eu parei pois escorreguei, e para voltar a pedalar tive que descer de novo para subir! Tenso demais!

Em Santana de Parnaíba creio que havíamos chegado na metade do caminho. A partir dali algumas mudanças aconteceriam: o nível de dificuldade diminuiria pois haveriam menos subidas, porém a tensão com o tráfego iria se intensificar bastante, e lá aconteceram 3 fatos desagradáveis. Um ônibus fechou propositadamente o Wagner, uma van passou muito rente à ele e depois um carro começou a buzinar atrás dele. Sei lá, deveria estar com a mente em conflito para atrair esses fatos em tão pouco tempo.
São cidades pequenas as que passamos e todas têm seu charme. Por sermos brasileiros nos acostumamos a falar mal do nosso país, falar que o que é do interior é caipira, mas não, nessa viagem conheci muita coisa bacana e pessoas interessantes e também a história dessas cidades. Viajar é uma experiência que só tende a nos enriquecer! Você para para pedir informação, e sente vontade de descobrir como é a vida daquelas pessoas e da cidade, e pensa: um dia volto de carro aqui para almoçar.

Saindo de Santana de Parnaíba até Barueri haviam mais subidas intermináveis, e com o tempo minha paciência ia se esgotando e o prazer de pedalar ia dando lugar à raiva por ter de subir tanto assim. Já estava ficando desagradável, e o pior é ter de dividir as ruas com os carros, e quantos carros! Ora, não era Carnaval? Deviam estar todos na praia e não nas ruas! Foi em Barueri que decidimos pegar a Castello Branco, mesmo sendo super movimentada, pois era uma reta só até São Paulo.

Mas quase saindo de Barueri eu simplesmente empaquei. Parei num posto e falei pelo rádio para o Wagner voltar. Ele tinha falado que ia parar no próximo posto, mas esqueceu. Parei, encostei a bike, sentei na cadeira do posto e senti uma vontade grande de chorar, de reclamar das subidas, de só fazer esforço e parecer que não chego à lugar nenhum, e também por que o Wagner pedala sempre na frente me deixando pra trás. Mas de nava adiantava reclamar, e o aspecto negativo estava na minha mente, ninguém tinha nada a ver com isso. Bem, lá ficamos sentados, tomei uns 2 gatorades, cereais, chocolate, e fazia de tudo para não sair dali. Faltavam ainda 30km, mas sabia que sera menos difícil pois a partir dali seria mais plano. Cerca de 40 minutos depois decidi que tínhamos que voltar, e lá fomos.

Pegamos a rodovia Castello Branco e finalmente tivemos uma grande e inigualável ajuda: o vento. O vento estava tçao a favor que mesmo com uma MTB e alforge conseguíamos imprimir uns 35km/h (para quem estava super cansado e com peso, é até rápido, rs). Chegamos rápido à Marginal Pinheiros, só tomando muito cuidado para atravessar a estrada. A marginal foi a parte tensa pois não há acostamento, mas graças ao feriado a pista estava livre. Subimos a ponte que dava à Praça Panamericana, viramos à direita e fomos em direção à Pinheiros, até a Faria Lima. Chegando lá foi uma maravilha pois ali tem a ciclovia. A cidade estava super tranquila, ocupávamos uma faixa inteira da Faria Lima. Subimos a Hélio Pelegrino e fizemos nossa última parada na Frutaria São Paulo, onde tomei um suco de tangerina e um de figo. O Wagner falou que não havia coisa melhor esse suco de figo, mas para mim não era nada de mais, rs. Chegando lá nos abraçamos e nos cumprimentamos. Havia um casal do lado que até estranhou, mas ninguém sabe das experiências que alguém passa na vida, e ninguém iria imaginar que naquele dia passamos por 6 cidades de bicicleta!

Dali até minha casa faltavam mais 2 desafios: a subida da Hélio Pelegrino (que é curtinha) e depois a da Indianópolis. Engraçado, naquele dia a Indianópolis pareceu tão fácil…
Eu achava que chegaríamos de noite, mas cheguei em casa exatamente Às 18:30h, 10 horas depois de sair de Itu, com um total de 8 horas pedaladas e 2 de parada.

Mais uma experiência inesquecível que só me animou a continuar pedalando.

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Caminho do Sol – bike (3 dias) – dia 3 – Monte Branco (Piracicaba) à Águas de São Pedro

Terceiro e último dia, acordando cedo com a ajuda do galo que madrugou às 4h da manhã. Acordar, espreguiçar, sentir todas as partes do corpo para ver se algo dói, lavar o rosto, pegar a roupa do varal, tomar um belo café da manhã, conferir o equipamento, carimbar o passaporte… era o nosso hábito há 3 dias. É pouco e não dava para sentir a rotina de um cicloviajante, pois na verdade éramos cicloturistas, se é que há diferença nesses termos.

Meu irmão pediu ao Jesus que o levasse até Piracicaba e de lá pegaria o ônibus para São Paulo, mas sem antes ouvir muita zoação de todos nós… ficou até sem graça. Nesse tempo, conferindo a bike, percebi que o pneu traseiro estava meio murcho (na noite anterior eu havia enchido o pneu com 60lbs, então resolvi trocar a câmara antes que furasse no meio do caminho. Troquei a câmara com a ajuda do Wagner (detesto mexer na roda traseira pois tem que mexer forçar, puxar o câmbio, alinhar o disco de freio, etc.
Enchi o pneu de novo e revezei com o Ricardo, só que ele não percebeu que a câmara estava saindo para fora do aro e do pneu, e de repente ouvi um assobio, deu só um tempo de soltar um PQP por extenso e BUM! a câmara explodiu. Perdi uma câmara e lá fomos nós colocar outra, ainda bem que eu havia levado 3 câmaras.

Demoramos um pouco nesse processo mas iniciamos a última perna do caminho, nem lembro que horas eram. Já começamos por estrada de terra e logo encontramos um cenário lindo, o mais bonito do Caminho do Sol. O caminho cruzava um vale em meio a pequenos morros verdes. O chão era de terra com pedras, o que fazia trepidar bastante. O sol já aquecia mas não queimava e o vento refrescava. Nesse momento parei diversas vezes para tirar fotos. Passamos por uma ponte onde corria um riacho embaixo lindo, como nos cenários do filme O Senhor dos Anéis.

Depois de uns 15km de estrada chegamos à estrada de asfalto, subimos por cerca de 5km até entrar novamente em uma estrada no meio de canavial. Nesse momento, na subida, percebi o quão gostoso é encarar uma subida.

Lógico que nada melhor que uma descida ou um plano com vento a favor, mas aprendi a apreciar a subida, principalmente por trabalhar as pernas e por saber encarar melhor, mantendo um ritmo estável e sentado, sem a afobação de querer chegar logo ao topo. Não sei se comentei aqui, mas vale a máxima: Tudo que desce, sobe, mas nem tudo que sobe, desce.

Entramos num canavial com umas árvores altas ao fundo, um cenário gostoso. Por nós passavam alguns treminhões, aqueles caminhões com duas ou três caçambas enormes e 9 eixos que levantavam muita poeira. Numa das subidas longas, o Ricardo se agarrou na traseira do caminhão e se deixou puxar… muito esperto ele.
Não lembro quantos quilômetros corremos naquele canavial, mas chegamos em um cruzamento onde havia finalmente a placa para Ártemis. Viramos à direita até chegar numa ponte de ferro, ou aço, sei lá. Tiramos foto, tomamos carboidratos e chegamos no distrito. Paramos num bar de esquina onde haviam uns bêbados de plantão, outros jogando sinuca, e tomamos nosso gatorade e rações. Fomos rápido, queríamos chegar logo e não podíamos quebrar nosso ritmo.

Saímos de Ártemis e pegamos uma estrada de asfalto sem acostamento. Na verdade o acostamento era um trecho de terra, mas fomos pelo asfalto mesmo. Nessa hora, numa descida, presenciei o quanto ouvir música pedalando é perigoso. Quando se vira a cabeça para trás, a tendência é que o corpo também faça esse movimento, logo você acaba jogando a bike para o lado que a cabeça vira, é um movimento natural. O Ricardo estava ouvindo música e fez esse movimento, mas nesse momento havia uma fila de carros indo em sua direção, e foi o tempo dele virar para olhar, a bike mudar de direção, se assustar e voltar de novo para o seu canto. Pura negligência! Se não estivesse ouvindo música facilmente se ouviria os carros vindo e nem precisaria virar para olhar… e não foi a primeira vez que aconteceu, por várias vezes na terra ele se assustou ou por algum carro ou por um de nós que o ultrapassava e ele não ouviu. Tenso.

Entramos novamente num canavial já baixo, e ali foi o pior trecho do caminho todo. Cerca de 8km com algumas descidas mas muitas subidas, porém todo o terreno era arenoso ou com terra fofa, ao ponto de chegar a empinar a bike pela força que eu imprimia. Nas subidas de areia tinha que pedalar devagar e forte pois a roda traseira frequentemente perdia a tração, e se pedalasse muito devagar, atolava. Nas retas onde podia imprimir boa velocidade, a cada pedalada a roda traseira deslizava para a esquerda e para a direita. Num trecho cheio de pedrinhas e areia, por mais que fosse plano, tinha que colocar na marcha mais leve. E o pior de tudo: não havia vento e nenhuma alma sequer!
Não adianta o quanto eu conte que foi difícil e quente, só estando lá para sentir na própria pele. Nessa hora eu percebia que a mente queria parar, mas o corpo já havia se transformado numa locomotiva com vida própria: poderosa, forte, devagar e sempre. Mas sendo uma máquina, precisava se refrescar a toda hora, e eu cuidava disso muito bem. Uma máquina só para se o condutor manda parar ou se lhe falta combustível. Combustível sempre teve, mas o condutor estava preocupado demais em manter a temperatura do corpo fresco. Então só restava à máquina pedalar inconscientemente.

Nesse trecho uma ou outra vez passamos por casinhas de onde saíam cachorros correndo atrás, mas a sorte é que nesses momentos estávamos bem rápidos para que não nos alcançassem.

Foi então que encontramos um oásis: ao fim da subida longa e interminável, havia uma enorme figueira cercada por cana. Foi só encostar a bike e deitar nos bancos que haviam lá sob a sombra, mas ainda assim sofríamos com a falta de vento.

Ficamos um bom tempo ali descansando, minha água estava muito quente e nem sabia mais o que fazer (eu deveria ter jogado água sobre o corpo para esfriar e refrescar durante a pedalada). Então eu e o Wagner nos lembramos que no início do caminho havíamos combinado de cortar cana. Peguei meu super canivete mineiro personalizado e fomos lá cortar cana. Comecei a descascar a cana e fazia com tanta destreza que parecia que fazia há anos!

Tirei alguns pedaços para compartilhar, e depois o Wagner cuidou de descascar toda a cana e dividir em pedaços iguais. Uma delícia, docinha, só faltava estar gelada, mas pelo menos estava fresca!

Olha, não queria sair de lá não, mas o bom é que sabíamos que faltavam somente uns 7km! E assim fomos, com muito custo. O que são 7 sobre 250??? Uns 3km depois, após mais areia, eucaliptos e fugindo de cachorros, chegamos numa estrada de asfalto onde ficamos em formação de fila e corremos mais (é nessas horas que se percebe o quão preparado estávamos, cansávamos mas a perna aguentava, e mesmo depois de horas pedalando, você ainda consegue correr ainda mais rápido), aproveitando o “vácuo” produzido pela bike da frente.

Logo chegamos à um posto à direita onde compramos 2 garrafas de água cada, nos refrescamos e continuamos à esquerda pela avenida que nos levaria até Águas de São Pedro, uns 3km depois. E lá fomos. E lá chegamos, finalmente. Tiramos algumas fotos na entrada da cidade e depois entramos, buscando o ponto final, a pracinha, a igreja, o marco com a estátua de São Tiago (quem?). A cidade é muito bonita, toda enfeitada, iluminada, limpa. Fizeram um belo trabalho ali. Tiramos foto e nos abraçamos, e depois subimos (sempre subindo) até a casa de São Tiago que… não havia ninguém… eu pelo menos não vi, você viu?

Pois é, tocamos o sino, andamos pela trilha que levava à um altar onde provavelmente os peregrinos são condecorados ou abençoados, sei lá, ou talvez aconteça um ritual pagão e eles são abduzidos. Tudo pode acontecer.

Enfim, nem procuramos carimbar o passaporte, fomos logo comer, batemos aquele rango e depois fomos procurar a rodoviária. Aí que nós erramos, pois havíamos nos esquecido que era feriado e que a volta estaria cheia, e o próximo ônibus sairia só à 20h com paradas em várias cidades e chegada prevista à São Paulo às 0h! Poxa, se tivéssemos ido primeiro à rodoviária, teríamos comido mais rápido e nem perdido tempo ali. Acabamos indo lavar as bikes, tomar sorvete, conversar com um estranho que praticava motocross…

Acham que a aventura terminou por aí? Que nada.
Eu havia combinado com minha mãe de buscar eu e o Ricardo na rodoviária, porém era muita sacanagem tirar minha mãe de casa de madrugada para nos buscar, além disso o Wagner não tinha como voltar a não ser pedalando (pois o metrô já havia fechado), então decidi voltar pedalando também, e o Ricardo não teve escolha e aceitou também, meio a contra gosto.
Chegamos no terminal Tietê às 00:40h e montamos as bikes de novo, troquei de roupa bem rápido ali mesmo e mais ônibus chegavam. Era madrugada de segunda e havia uma fila enorme de gente esperando táxi, já que não tinha mais metrô. Fiquei pensando que talvez chegasse em casa antes mesmo desse pessoal que estava esperando taxi.

Não lembro o nome das avenidas pelas quais passamos pois o centro me confunde muito, mas passamos pela avenida do Estado, Tiradentes (em frente à Pinacoteca), centro, Praça da República, Consolação, Paulista, Domingos de Morais, Jabaquara e… casa!
A volta foi mais puxada, talvez pela vontade de chegar logo em casa e dormir para acordar bem para trabalhar no dia seguinte, mas com carga e com vento contra, não há perna que aguente, e pelo menos para mim, esse foi o único trecho da viagem toda em que minhas pernas doeram, juro!

No mais, foi uma sensação sem igual pedalar por São Paulo pelos principais pontos turísticos em plena segunda-feira de madrugada. Nas fotos, a avenida Paulista.

Essa foi minha primeira experiência com o Caminho do Sol. Não sei se haverão outras (devido ao custo), mas com certeza já terei experiência para superar os desafios e aproveitar mais ainda cada dificuldade, principalmente as longas e intermináveis subidas.

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Caminho do Sol – bike (3 dias) – dia 2 – Elias Fausto à Monte Branco (Piracicaba)

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No sábado, 8, acordamos um pouco mais tarde, às 6:30h. Apesar do cansaço extremo do dia anterior, estávamos muito bem fisicamente, resultado dos treinos que vínhamos fazendo. Na verdade meu irmão era o único que não estava preparado fisicamente e decidido a pegar um ônibus e voltar para São Paulo.
Tomamos café da manhã com sanduíche, café com leite e frutas, carimbamos o passaporte com o Rogério (dono da pousada), abastecemos nossas caramanholas e ao final optamos por contratar o serviço de levar as bagagens para o próximo ponto, porém como o nosso destino final eram 3 pontos além do que é feito a pé, tivemos que pagar 3 vezes mais pelo serviço que normalmente é cobrado R$50,00 (o carro). Tudo bem, afinal o peso a menos seria muito bem vindo.
Ao final acho que pagamos R$45,00 da pousada, mais R$37,50 do transporte das bagagens, dando R$82,50 no total.
Foi nesse café da manhã que conseguimos convencer meu irmão a continuar o caminho conosco. Eu lhe disse que o acompanharia, que iria moderar meu ritmo para ficar mais perto dele e apoiá-lo. Acabou concordando.
Não lembro bem a hora que saímos, mas acho que foi por volta das 8h. Subimos até a praça principal, viramos à direita e subimos até chegar na rodovia. Antes de chegar na rodovia viramos à direita e uma estrada de terra já se iniciava (“o dia promete”, pensei ao começar com terra logo no início). Fomos em ritmo moderado pois já não estávamos mais cansados, ao mesmo tempo que aprendemos que por todo o caminho haveriam muitas subidas. Passamos por um antigo casarão onde meu irmão comentou que é famoso, mas não lembrava o porquê.

Alguns quilômetros depois cruzamos uma estrada e um mar de cana se erguia sobre o outro lado da estrada, e esse canavial estava alto, ainda não estava cortado. Seguimos as placas indicativas e pegamos uma estrada que cruzava o canavial. A estrada era de terra vermelha e batida, onde dava para imprimir uma velocidade média de 21km/h. No meio do canavial avistei um pássaro de porte médio levantando voo, com certeza assustado com a nossa aproximação, e logo à frente percebi no caminho um animalzinho morto no meio da estrada. A ave devia estar comendo o bicho. Seguimos por mais 1km até essa estradinha terminar numa estrada maior, de pedras e areia, e a opção era ir para a esquerda ou direita, só que não havia placa, provavelmente os treminhões que ali passavam deviam ter derrubado e nós não sabíamos para onde seguir. O Ricardo então viu no iphone que devíamos seguir para a direita, onde apontava Capivari. Seguimos então, e mesmo sendo leve descida, as pedrinhas e areia eram um grande obstáculo. Corremos cerca de uns 2km até chegarmos numa estrada, até comemoramos mas então percebemos que era a mesma estrada que cruzamos antes de entrar no canavial. Tínhamos voltado!

Não restava nada a fazer a não ser entrar no canavial novamente e virar à esquerda. De novo vi a ave levantando voo, mas dessa vez o animal morto já estava mais dentro do canavial. A ave estava puxando para um local mais seguro (para nós, pois deviam haver cobras). Dessa vez viramos à direita e começamos a correr bastante. A parte alta sumiu e só restava uma longa planície de cana cortada, e o melhor: descida! Uma descida de uns 2km!

Contornamos uma represa em meio à um caminho coberto por árvores curvadas, mas também pegamos um trecho horrível de terra fofa, pois um trator havia acabado de passar. Minha bike deslizava toda hora e atolava fácil, e quase fui ao chão umas 5 vezes. Depois de uns 5km de mata chegamos à fazenda Milhã. Entramos mas não parecia ter ninguém. Encostamos as bikes e fomos tomar um banho de torneira dando sopa. Tomamos a água e enchi minha bolsa de hidratação (o gosto de cloro estava forte), comemos um pouco e uns 20 minutos depois, seguimos.

Passamos por uma vila de casas, das pessoas que trabalhavam na fazenda, saímos de lá e pegamos um terreno difícil de areia, e para me divertir ficava assustando as vagas da fazenda ao lado. A vaca, tão grande, parece que não tem noção do seu tamanho…

Foi aí que a coisa ficou feia. Numa das muitas derrapadas que a bike dava na areia, senti que a roda travou no freio. Parei, mexi e vi que o disco estava mesmo pegando no freio. Só deu tempo de avisar meu irmão que estava perto, enquanto o Ricardo e Wagner continuaram. Comecei a mexer e a roda estava solta pois o pino que a prendia havia caído. Mexi, apertei e soltei parafuso e nada. Meia hora depois os dois voltaram e começaram a procurar o tal pino que se perdeu.
Então eu e meu irmão decidimos voltar para a fazenda e pedir ajuda. Voltei empurrando cerca de 1km na areia até chegar na vila, onde as pessoas estavam já tentando ajudar trazendo porcas, parafusos etc. Porém nada daquilo resolvia.
Meu irmão foi até a fazenda procurar ajuda e por sorte encontrou a dona da fazenda, que pediu ao caseiro para nos levar até Cabreúva procurar uma bicicletaria. Meu irmão pediu para colocar a bike dele junta (não queria mais pedalar e o problema com a minha bike foi sua salvação). E assim fomos e por sorte achamos uma bicicletaria perto da praça. Era cerca de meio-dia, deixamos as bikes no conserto e fomos almoçar, e para nossa surpresa eis que surgem de novo Wagner e Ricardo! Almoçamos todos juntos e tomamos uns 10 gatorades!
Depois do almoço, os dois decidiram continuar viagem e me chamaram junto, pois meu irmão ia pegar um ônibus até Monte Branco e assim terminar seu dia. Mas eu decidi ficar com ele, primeiro por que não achava justo deixar meu irmão sozinho, pois sempre que precisei ele sempre estava lá para me ajudar, e segundo por que eu estava chateado pelo problema que me aconteceu e perdi o ânimo de pedalar. Acabei ficando.

Problema resolvido, fomos buscar a rodoviária. Descobrimos que tínhamos que pegar um ônibus até Piracicaba e depois nos virarmos até Monte Branco. Meu irmão estava tranquilo, confiando que tudo ia dar certo, e eu estava irritado por que ele estava tranquilo por que nós não estávamos no controle da situação e também por que deixei de pedalar uns 60km. Falei pouco naquela tarde.
Chegamos em Piracicaba já escurecendo e meu irmão ligou para o sr. Jesus para nos buscar lá. Esperamos mais cerca de 2h até ele chegar, pois houve desencontro de informações sobre o ponto de busca (meu irmão tem o costume de passar informações vagas). Nesse tempo deu para pensar em muita coisa da minha vida… apenas pensar, pois concluir que é bom, nada.

Acabamos chegando na casa do Jesus, onde o Wagner e Ricardo já tinham chegado pouco tempo antes (pois haviam se perdido). Tomamos banho, jantamos uma comida pra lá de deliciosa (só o café e suco que estavam doces demais) e a filha do Jesus até fez massagem nos pés dos caras.
Já ouvi muitos relatos falando bem do Jesus, e nesse dia realmente constatei que “só Jesus salva”.

Meu irmão havia decidido que no dia seguinte ia pedir carona ao Jesus até Piracicaba e de lá voltar para São Paulo, e eu decidi que ia completar a p%#@$ do caminho de qualquer jeito.

 

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Caminho do Sol – bike (3 dias) – dia 1 – Santana de Parnaíba à Elias Fausto

A partir de agora relato os detalhes da viagem, dia após dia.

Acordamos às 6h já na pousada em Santana de Parnaíba. Tomamos um café da manhã simples mas bem feito, e que já estava incluso na diária. Esta aliás, pagamos pela suíte com TV e banheiro para duas pessoas por R$120,00 (R$60,00 para cada). Recebemos os passaportes e um guia do Caminho com as dicas e informações de altimetria. Passamos protetor solar, revemos os equipamentos e principalmente se os alforjes estavam bem presos.

Eu havia planejado fazer o caminho todo coberto de roupas, para não ficar queimando demais a pele, usando camisa manga longa e pernito (uma manga para as pernas, que cobrem do tornozelo até a coxa), sabia que ia passar calor mas a pele agradeceria. No final acredito que passei calor igual aos companheiros que estavam de bermuda e camiseta. Porém logo que saí de casa me dei conta que havia esquecido a camisa, mas por sorte o Wagner tinha uma para me dar, bem melhor que a minha preta, pois essa era branca. Foi a salvação.

Saímos exatamente às 7:40h. Saímos um pouco mais tarde do que prevíamos, apesar de não estarmos muito preocupados com o tempo. Em verdade não havíamos traçado um planejamento mais preciso sobre tempo de chegada, tempos de parada e frequência das paradas, queríamos mais era curtir, achávamos que seria mais um passeio do que uma odisséia… um amigo que fez sozinho o caminho em 3 dias disse que chegou em Elias Fausto às 14:30h, logo pensamos que chegaríamos por volta desse horário também. Ledo engano.
Passamos pelo ultra-poluído rio Tietê com suas espumas brancas, resultado do lixo químico que as indústrias despejam. Ele não é tão fedido quanto em São Paulo, já que nesse momento a água já está mais tratada.

Logo chegamos à subida do cala a boca, uma longa subida toda sinuosa e sem acostamento, e foi o primeiro teste para nosso corpo, o qual vencemos sem problemas.
Eu diria que um erro comum que nós (ciclistas amadores) cometemos é o de querer vencer uma subida o mais rápido possível, chegar logo ao topo e descer, porém nessas horas devemos ter calma e pedalar num ritmo que não force demais as pernas, que é o “braço” do motor corpo humano. Encontre uma cadência (ritmo de pedalada) boa para você e que não vá cansar logo. A coroa da minha bicicleta é grande, de 48/38/28 dentes, própria para estrada mas não para terra e subidas, então eu usava quase sempre a coroa menor, alternando somente os pinhões da catraca (engrenagens da roda de trás), e muitas vezes mesmo na marcha mais leve, ainda assim era pesada e forçava a perna.
Estávamos em quatro, aonde cada um tinha um tipo de pedalada diferente: o Ricardo era bom em explosão, nas retas e descidas ele impunha um ritmo forte, já nas subidas ia mais devagar. O Wagner, alto, com biotipo de atleta e pernas fortes, tinha capacidade de sempre estar na frente, mas sempre ficava atrás se poupando, porém nas subidas ele vencia com muita, mas muita facilidade, em parte ajudado pela bike leve e coroas menores. Ele era o mr Rabbit. Meu irmão Fábio também tinha uma bike leve e coroa menor, porém não tinha tanta resistência e força e ficava sempre para trás. Já eu estava mais preparado e com força suficiente, procurava ficar sempre em segundo (mais para não me perder e estar sempre junto de alguém). Um parâmetro que eu usava eram as subidas. Eu sempre alcançava o Ricardo, e quando me dava conta que ia ultrapassá-lo, analisava se meu ritmo estava forte demais e consequentemente causar fadiga na perna.

Como não tínhamos definido frequência ou distância para paradas, o primeiro da fila geralmente parava em alguma sombra quando cansava, ou senão quando não se via mais o último. Acho legal para quem for fazer uma viagem assim, onde cada um da equipe tem um ritmo diferente, de programarem antecipadamente as paradas, seja por quilometragem, por tempo ou um objetivo, como uma sombra de árvore após uma montanha etc. Essas paradas devem ser curtas, para tomar água, carboidratos e no máximo uma barra de cereal, além de esticar as pernas e corpo. Dessa forma não deixa o corpo esfriar e não se perde o ritmo. Depois é importante programar uma parada mais longa para a refeição reforçada, com cereais, sanduíche, fruta, etc.

De Pirapora até Cabreúva até que foi tranquilo, sempre subindo e descendo pela estrada sem acostamento. Essa estrada é bastante usada por ciclistas de speed (bicicleta estradeira, leves e com pneus finos), e lá no centro dessa cidade paramos para comer um lanche reforçado, com sanduíche de maionese, ovo e ervas, além de azeitonas, bananas, frutas secas, e também abastecemos nossas caramanholas. Acho que em relação à água eu tinha feito a escolha certa: levei 1 caramanhola e a bolsa de água de hidratação de 3L no alforje. Enchi uns 2,5L e ficava tomando nas paradas, assim economizava dinheiro em cada bar. O problema é que a água ficava quente.
Nesse momento troquei o capacete pelo boné de legionário (mais uma boa ideia), daqueles que protegem a nuca e rosto, pois o sol começava a castigar. Creio que ficamos ali entre 1h e 1:30h e partimos rumo ao Haras do Mosteiro.

Antes devo acrescentar aqui uma palavra nova que aprendi: escalaminhada – “caminhada em trilhas de ascensão, onde nos lugares mais difíceis de subir, usa-se as mãos em raízes ou pedras que existem no caminho; sem a necessidade do uso de cordas ou semelhantes”. Ô trechinho filha da mãe! Foi o segundo pior trecho do Caminho do Sol. Uma subida íngreme de 700m onde de bicicleta cheguei a míseros 4km/h! Tudo dificultava: a bicicleta pesada, sem acostamento e sol escaldante. Com medo de faltar perna mais pra frente, decidi descer e empurrar a bike por uns 300m, e também para acompanhar meu irmão que já estava empurrando faz tempo.

No final da subida paramos em um ponto de ônibus (foto) coberto onde descansamos, tomamos mais carboidratos e água. Ficamos uns 20 minutos. Pelo menos tinha vento.
Continuamos viagem até passar por baixo da rodovia Marechal Rondon, viramos à esquerda na rotatória e 300m depois começava a estrada de terra.
Se por um lado a estrada de terra é boa pois não tem mais que se preocupar com carros, por outro a velocidade diminui drasticamente. Nessa hora relaxamos e fomos mais devagar, estávamos ainda descobrindo os desafios do Caminho e por isso estávamos tranquilos, porém logo de início haviam algumas subidas (eu ainda não tinha me familiarizado com as subidas e por isso não gostava delas) e trechos com areia, o que dificultava para mim pois estava com pneus misto (liso no meio para asfalto e com cravos nas laterais para agarrar na terra). 5km depois chegamos ao armazém Limoeiro, um bar no meio da estrada de terra onde haviam muitos ciclistas que foram fazer trilha por ali. Haviam também muitos dos novos EcoSport da Ford. A explicação é que, pouco antes de chegarmos, estavam fazendo gravações de comercial desse veículo. Queria ter visto.

Como não tinha lugar para sentar e nem água para comprar, enchemos de uma torneira que vinha da mina, compramos um refrigerante e seguimos em frente. O trecho depois disso ficou árido, sem rios, fontes, nuvens, ETs ou chupa-cabras, era mato de um lado e do outro, casinhas no meio do nada, vacas, pedras, cavalos e subidas, sempre elas. O sol castigava e nosso único refresco eram algumas descidas onde aproveitávamos a inércia. Porém por ser terreno de terra acidentado e com obstáculos, em algumas descidas era necessário pedalar também. O local cruzava fazendas e era cercado por grandes pastos.

Cruzamos com cerca de 9 peregrinos que faziam o Caminho do Sol a pé, esses verdadeiros heróis. Apenas os cumprimentamos e seguimos viagem, onde poucos quilômetros depois chegamos ao Haras do Mosteiro. Sinceramente preferiria ter continuado a viagem, mas acabamos parando e fazendo o que não precisava: comer bem e dormir. Na verdade tentamos dormir, fechamos os olhos mas o corpo estava muito ativo. A dona do Haras foi muito receptiva, compramos somente sucos naturais e comemos nossa própria comida. O fato é que ficamos cerca de 2h lá. 2 horas que seriam cruciais no final do dia. Tirei foto com os cavalos, galo, cachorro, mato e tudo que para mim fosse diferente de concreto e poluição.

Conversei um pouco com a dona da pousada sobre cavalos e contei-lhe que em 2011 eu havia participado de uma cavalgada em Cruzília-MG, berço da raça Mangalarga Marchador no Brasil. Cavalguei das 11h da manhã até umas 20h. Foi uma experiência inesquecível que ainda quero repetir.

Pouco antes de partirmos os peregrinos já haviam chegado. Na verdade achei que eles foram até rápidos demais pela distância que havia entre nós. Seguimos em frente, e aqui cabe dizer que não há muito o que acrescentar, pois era só subida, reta, descida, subida, mato, mato, mato. Às vezes passávamos por umas casas onde haviam cachorros soltos. Esses cachorros vinham correndo atrás da gente latindo nervosos. Simplesmente continuávamos correndo ou então avançando na direção deles, demonstrando que não nos intimidávamos e que estávamos demarcando nosso território ou força sobre os cachorros.

Quando se está de bicicleta, pedalando com carga e na terra, há todo tipo de obstáculo, como pedras, areias, cascalho etc. O fato é que a atenção deve ser total em 100% do tempo no caminho, pensando se o câmbio não está desregulando, não forçando nas trocas de marchas, olhando periodicamente se os pneus estão cheios (pois na terra não tem como sentir se está murcho ou não), se nada está caindo do alforje, se o alforje não está raspando na roda ou freio. E na descida a atenção é ainda maior, seja nas pedras (e quando há pedras, levanta-se um pouco o corpo para não forçar demais a bunda e as costas). Enfim, é um cansaço mental gostoso demais.

Chegamos em Salto onde cruzamos a cidade (não levou nem 10 minutos para isso) e atravessamos a rodovia Santos Dumont por cima, pegamos à direita, subimos (que novidade) até entrar na propriedade da fazenda Vesúvio. Lá contornamos um lago e seguimos sempre em estrada de terra. Chegamos num ponto onde tivemos que descer da bike e empurrar por uma estreita passagem na cerca de arame farpado e pegar uma outra estrada de terra, cheia de pedras. E assim seguiu o caminho, já escurecendo por mais cerca de 24km. Acho que nessa hora nos demos conta que já não daria mais para chegar ainda com tempo claro.

Novamente chegamos num trecho bem plano e com muita mata onde dava para imprimir boa velocidade, porém logo depois escureceu e já não se podia ver mais nada. Olhava para o céu e nada de estrelas, e nem quis olhar mais para cima para procurar a Lua pois meu pescoço doía bastante de tão travado que estava por causa da posição sobre a bicicleta. Neste momento nos orientávamos através do iPhone do Ricardo, iluminando o caminho com nossas lanternas e sinalizando com as luzinhas traseiras. Essas luzinhas foram cruciais, e nesse momento meu irmão já estava quase pedindo arrego, eu até diminuí meu ritmo para pedalar junto com ele um pouco mais atrás, apesar de todos já estarem pedalando mais devagar por conta do escuro.
Devia ser quase umas 20h quando chegamos à cidade de Elias Fausto. Aí era questão de tempo até chegar na pousada Elias Fausto, do Rogério, mas antes, mais subidas.
Vale lembrar que, já no primeiro dia, em qualquer subida eu já deixava engatado a marcha mais leve. Economizava músculo.

Chegando lá o Ricardo simplesmente deitou no chão do quarto, quase morto, enquanto nós três fomos até a piscina refrescar o corpo. Uma delícia! Depois nos secamos, trocamos de roupa e fomos comer uma pizza na rua de trás. Pedimos duas pizzas grandes para 4 pessoas e muito suco e refrigerante. Os preços no interior são mais baratos e nesse jantar gastamos só uns R$25,00 cada. Aliás, não sei como é para quem está a pé, mas bike é preciso tomar bastante líquido. Só na viagem devemos ter tomado entre 5 e 6L cada um.
Eu pensava comigo mesmo que ali era o fim e que não aguentaria nem mais 1 dia. Meu irmão já foi além e falou para todos que não aguentava mais, que seu corpo não poderia suportar mais, mas o Wagner e o Ricardo disseram para esperar o dia seguinte para tomar a decisão… ainda bem que não falei que eu também queria desistir…

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Caminho do Sol – equipamento para os 3 dias

Como diário para mim e dicas para futuros cicloturistas, abaixo estão os equipamentos que utilizei para os 3 dias do Caminho do Sol de bicicleta em dias de calor extremo.

Equipamentos e segurança
– mountain bike com no mínimo 24 marchas e pneus de terra
– bagageiro
– alforje para no mínimo 15kg
– capacete
– iluminação tanto na frente quanto atrás
– luvas (essencial)
– manopla acolchoada com bar-end
– óculos de sol esportivo
– 1 ou 2 caramanholas térmicas

* Sobre a bike, recomendo um pedivela de 44/32/22 dentes, pois o essencial não é velocidade e sim vencer as muitas subidas. A minha tinha 48/38/28, ou seja, pesadíssima, mesmo assim consegui vencer quase todas as subidas pedalando. Meus pneus eram do tipo misto, liso no meio e com cravos las laterais. Tive algumas dificuldades nos trechos de areia, mas passei.
Além disso recomendo um grupo Shimano Acera, no mínimo. O meu é Shimano Tourney, que me aguentou muito bem até hoje, porém nessa viagem o eixo da roda traseira entornou. Se fosse Shimano…
Selim confortável, mas convém pedir dica de especialistas, pois o conforto demais pode causar machucados na virilha
O bagageiro comprei da marca Ostand para freio a disco. Eu e um amigo usávamos e não deu problema.
O alforje comprei um simples pela internet com capacidade máxima de 9kg, mas no final ela tinha quase 15kg. Acabou rasgando em um ponto que não era esperado, mas aguentou muito bem. Meu amigo levava um com capacidade bem maior e mais caro, mas também rasgou. * Dica: compre sempre produtos bons, o que necessariamente acabam ficando caros, mas vale o investimento. Lembrando que por ser bom não significa que pode sair socando. O produto é seu, você comprou, então trate com carinho.
Um item que falou e não sei por que não colocam mais, é o pezinho de bicicleta. Aquela que mantém em pé, pois deitá-la no chão com todo aquele peso dá dó.

Ferramentas
– bomba de encher pneu
– 3 câmaras de pneu
– jogo de chaves
– canivete (de verdade, não os lao king chong da vida)
– kit remendo de câmara
* 3 câmaras são para segurança. Um dos pneus estava murchando, e ao trocar de câmara, por um descuido, ela estourou e perdi 1 câmara de graça, então nunca é bom brincar com a sorte.

Roupas
– 2 camiseta manga longa clara e de fácil transpiração
– 1 short de ciclismo
– 1 par de pernito
– boné legionário
– 3 camiseta para usar de noite (eu usei somente 1)
– 1 short/calça para usar de noite
– 3 pares de meias
– tênis
– chinelo
– cuecas
* Qualquer peso sobre a bicicleta influencia no rendimento, óbvio, portanto, levei o mínimo possível. Eu preferi usar camiseta manga longa e pernito (aquele tecido que veste somente a perna, debaixo do short), para me protegia do sol. Para mim foi a melhor opção pois o sol estava muito forte e não se sabe os danos que isso pode causar daqui alguns anos.
Eu esqueci minha camiseta manga longa preta (!!!), mas por sorte o Wagner tinha uma branca sobrando. Como não tinha noção de quanta poeira eu pegaria, a camiseta branca ao final ficou marrom, e tive que improvisar lavando no chuveiro mesmo. Deu para o gasto.
Das camisetas usei somente 1, para dormir, e as meias usei todas, pois como meu tênis é de corrida, é todo arejado e a poeira sujou toda a meia.
Além disso, usei o boné de legionário quase o tempo todo para proteger a nuca e rosto, pois o capacete, além de esquentar tanto quanto o boné, não protege do sol.
Aqui vai uma intimidade: com short de ciclismo não se usa roupa íntima devido ao atrito do selim com a virilha que pode machucar. Short masculino geralmente tem um tecido embaixo que meio que substitui a cueca, deixando a área até mais folgada e arejada, então eu simplesmente não usei cueca. Podem achar o que quiser, mas é a melhor coisa, rs
Como a previsão era de inferno, nem cogitei levar capa de chuva. Ia na raça mesmo.

Higiene e medicamentos
– toalha super absorvente
– necessaire que continha:
– lentes de contato
– soro para lente
– escova de dentes, pasta, lenço, fio dental etc
– sabonete
– potinho de xampu
– desodorante
– esparadrapo
– aspirina para dor muscular
– pomada para machucados
* Levar outras coisas para machucados, pois levei o que eu tinha em mãos, os outros companheiros levaram mais coisas.
Eu simplesmente esqueci de comprar a toalha absorvente e levei uma comum mesmo. Fiquei com dó de deixá-la para trás, pois é leve… só que fez bastante volume…

Alimentação
– bolsa de água de hidratação (o tal do camelbak) – a minha tinha capacidade de 3L
– mix de cereais, sementes e frutas altamente calóricos como castanha, amendoim, uva passa, damasco desidratado, azeitonas verdes, banana etc
– carboidrato em gel – Carb Up, vendido em lojas especializadas ou Decathlon. A caixa contém 10 sachês. É bem doce e deve ser tomado de hora em hora após atividade intensa
– barras de cereais
– sanduíche leve para caso extremo
* Esses alimentos foram distribuídos entre todo mundo, cada um levando um pouco e dividindo entre todos.
Deve-se levar em conta que a alimentação será a parte mais pesada, porém não se pode economizar, mas também não se deve exagerar no peso.
Por estarmos em 4, tínhamos bastante comida, tomamos muita água, entre 5 e 6L por dia. Porém uma coisa que eu descuidei e não fiz, foi pegar um pouco da água da bolsa e molhar a camisa ou o corpo, pois o calor e a atividade intensa fazia o corpo esquentar demais, e haviam muitos trechos sem sombra nenhuma. Só fui fazer isso faltando 10km, e foi a melhor coisa…

A bike vai ficar pesada mesmo, porém um fato é que isso não é impeditivo para alcançar boa velocidade ou subir um morro. Pelo contrário, você sente que é um peso normal e aceita, e aí a viagem se torna prazerosa.DSCN3932

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Caminho do auto-conhecimento

Uma das propostas de longas viagens e caminhadas é o auto-conhecimento. A possibilidade de estar sozinho e enfrentar seus limites e medos nos faz fazer uma profunda análise sobre quem somos.
Na verdade nunca acreditei nessas coisas. Já viajei sozinho várias vezes e o máximo que conseguia era curtir a paisagem, saber o que levar, equipamentos, enfim, acho que a auto-análise deve ser estimulada por algum fator externo, seja um evento, uma dificuldade ou alguém.
Na pedalada no Caminho do Sol, meu irmão terminou o primeiro dia exausto, decidido a não mais continuar devido ao cansaço, porém no dia seguinte conseguimos convencê-lo a seguir adiante. O fato é que seu corpo não estava preparado como os outros e já não rendia mais como antes. Após sair de uma fazenda minha bicicleta quebrou, o eixo da roda traseira entortou e a roda desalinhou. Conseguimos arranjar uma carona para nos levar à Capivari e procurar uma bicicletaria, e nesse momento meu irmão se aproveitou da situação e pediu para que o levasse também.
Após chegar na cidade e consertar a bike, meu irmão me disse que para ele era o fim da linha e que não podia mais prosseguir. Seu corpo já não aguentava e o passeio terminara quando deixou de ser prazeroso.
Eu pretendia ir até o fim, porém não queria deixar meu irmão sozinho. Por mais que pudesse se virar, dois sempre conseguem mais que um e este caminho era mais um exercício da relação entre as pessoas, por isso decidi ficar com ele. Pegaríamos um ônibus até Piracicaba, e de lá o dono da pousada nos buscaria.

Meu irmão é uma pessoa com pensamento mais adequado ao Caminho, o de priorizar o caminhar ao invés do chegar, o sentir ao invés do fazer, e é mais relaxado e despreocupado. Essas atitudes acabaram me irritando pois eu ficava pensando em todos os detalhes, nos erros que cometemos e nos riscos que poderíamos correr, enquanto para ele estava tudo bem… é claro, pois o “passeio” já tinha acabado. Para ele era um passeio, para os outros era uma aventura.
Estava irritado também pois ao mesmo tempo que decidi ficar com ele, acabei deixando de pedalar 60km junto dos outros 2 amigos que estavam com a gente.

Nessa hora, conversando com ele, pude constatar as nossas diferenças de personalidade e expectativas quanto ao Caminho. Eu gosto de sentir, vivenciar, mas meu foco maior é nos resultados, em traçar um objetivo e concluí-lo, ou pelo menos o máximo que puder. Não sou competitivo, mas gosto de testar meus limites e sentir que sempre consigo mais do que antes, e para isso prefiro que quem esteja comigo esteja disposto fisicamente, ou principalmente, tenha uma cabeça focada também. Não quero dizer que exijo das pessoas, pois cada um tem uma personalidade, mas gosto de ser assertivo e não fazer as coisas sem objetivo.

No final terminamos o caminho em 3, felizes e cansados, com direito a pedalada do terminal rodoviário Tietê para casa na madrugada de segunda-feira, sensação única também.

Se eu preciso melhorar? Claro que sim. Uma vez que somos adultos fica difícil mudar nosso jeito da noite para o dia, porém nesse dia tive a oportunidade de tentar mudar esse eu. Não foi a primeira vez que constatei como sou, mas chegar à essa conclusão no meio de um Caminho cuja proposta é justamente essa, já faz valer a pena a jornada.DSCN4119

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Caminho do Sol – 3 dias de bike

Viagem realizada em 07/ 08 e 09 de setembro de 2012.

 

Ouvi falar sobre o Caminho do Sol em 2006, e naquele ano já havia planejado percorrê-lo a pé. Sempre gostei de uma aventura, principalmente as solitárias, e esse era um prato cheio para um espírito curioso e com vontade própria.
O tempo passou, vi meu irmão caminhar por essa jornada, e por causa do trabalho nunca tive folga suficiente para caminhar por 10 dias. Porém como disse o mago Gandalf em O Senhor dos Anéis: “o que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”. Então decidi que no próximo feriado prolongado faria esse caminho de bicicleta. Já tinha tudo: a bike, condição física e maturidade. A data foi marcada para 1 mês e meio depois da decisão: 7 de setembro.
Inicialmente éramos eu e meu irmão, mas no final éramos em 4, entre as idades de 31 e 45 anos, todos ciclistas frequentes.

Para quem não conhece, o Caminho do Sol é uma rota devidamente mapeada e sinalizada que parte de Santana de Parnaíba até Águas de São Pedro, em São Paulo. É um caminho idealizado por um casal que percorreu o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e decidiram criar sua versão brasileira.
Em verdade no Brasil existem vários caminhos, o Caminho da Fé, a Estrada Real, o Passos de Anchieta entre outros, mas este do Sol é o mais curto e mais próximo.

Na quinta, 6, saímos pedalando de casa até o metrô Paraíso, de onde saía o ônibus que nos levaria à Santana de Parnaíba. Chegamos lá perto da meia noite para acordar às 6h. Recebemos um pingente, um mapa e o passaporte que carimbaríamos em alguns postos no percorrer do caminho.
Posso dizer que a sensação de estar numa bicicleta carregada com alforjes de cerca de 15kg é uma experiência inesquecível. Você não está numa MTB pronta para sair pulando e não está numa speed para correr. A bike de cicloviagem é como um caminhão, que é pesada, não sai correndo logo de início, nas descidas é preciso tomar cuidado, nas subidas é preciso persistência e não parar, porém quando embala ninguém segura, e praticamente todos gostam, as pessoas cumprimentam, querem saber de onde viemos, para onde vamos, o que carregamos. Alguns carregam a casa nos alforjes, outros carregam apenas roupas, mas com certeza todos carregam uma história.
Nessa viagem passamos por várias cidades, mas na maior parte do tempo passamos por estradas de terras cruzando canaviais e fazendas, sempre entre terra, pedras e muita areia, o que dificultava muito o caminho.

O ideal para percorrer de bicicleta é 5 dias, sendo 4 dias possível também para os mais treinados, porém nós só tínhamos 3 dias, e por isso havíamos treinado bastante antes. Foi muito puxado… consegui terminar, mas seria melhor ter escolhido o de 4 dias. No primeiro dia havíamos planejado percorrer 103km, no segundo 89km e no terceiro 48km. Ao final o primeiro dia se tornou 110km, o segundo 90km e o terceiro 40km.
Talvez você queira saber como foi no detalhe cada trecho percorrido, porém dificilmente conseguirá imaginar como foi apenas lendo o relato. É preciso ter vivenciado, e da mesma forma que não basta apenas dizer que o calor estava escaldante, é preciso dizer que estava um PUTA calor, um calor dos infernos, onde até o diabo sente o c%#$ arder!
Passamos por paisagens com vegetação e plantações bastante homogêneas, porém estar no meio da natureza é sempre revigorante, seja pelos cachorros nas fazendas, galos, galinhas, vacas, cavalos, gaviões, rios, a cana descascada para chupar no meio do nada, até mesmo a sombra de uma árvore no alto de um morro árido, o contato com pessoas do mato, simples, que vivem com pouco, de culturas diferentes… penso que essa experiência, por mais que gratuita, dificilmente nos damos ao trabalho de interagir tanto se levássemos uma vida urbana.
Trabalhar, baladas, academia e estudos, são atividades do dia-a-dia. Vez ou outra viajamos e percebemos o quanto é bom conhecer novos lugares, porém fazer uma viagem longa a pé ou de bicicleta, sendo obrigatória a incursão no ambiente e na cultura local, proporciona uma experiência extremamente gratificante.

Depois dessa, o que mais dá vontade é de colocar o alforje novamente e sair conhecendo o Brasil afora. Definitivamente os cicloturistas não são loucos, são curiosos!

Por isso, veja as fotos, deleite-se e sinta seu coração preencher-se da necessidade de ver com seus próprios olhos, sentir com sua própria pele e agradecer com seu próprio coração.DSCN4105

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FAIL: Imigrantes + Estrada de Manutenção da Imigrantes de SPEED

Muitos gostam de usar a frase motivadora de que quando você quer algo, o Universo conspira ao seu favor, porém o contrário também é verdadeiro: quando o Universo conspira contra… já era, se ferrou, não há remédio, volta pra casa e não faz cara feia, perdeu playboy etc…

Hoje fui pegar a estrada de manutenção da Imigrantes, porém não ir até Santos e sim voltar pelo mesmo caminho, ou seja, 35km de Imigrantes + os 20km de manutenção, depois voltar por ela pelo mesmo caminho, sendo que o previsto era fazer entre 110 e 120km em 5 horas. Estávamos em 2 de Speed.
Eu: Caloi Strada 2012 Shimano Tiagra
Wagner: Trek Shimano Tiagra

Às 7:15h encontrei com o Wagner e fomos à um posto calibrar os pneus… O ruim desses postos é que não conseguem atingir a pressão de pneu speed. Tive que usar a minha bomba de mão, só que para chegar às 90lbs exige muita força, chegar às 110 que é o ideal então é impossível! Enfim, começamos a pedalar. No começo não é lá tão bom para pedalar pois o acostamento é meio esburacado e tem uma comunidade vivendo à beira da estrada. Algumas subidas, descidas e vento levemente contra, conseguíamos manter uma média de 30km/h no plano e 25km/h na subida.
Fazendo apenas uma parada para assoar o nariz, chegamos perto da entrada da manutenção em 1:40h, pois apesar da Imigrantes levar até o litoral, parece que só tem subida…
Foi aí que tudo começou a dar errado…

Na Imigrantes tem muitos olhos de gato em algumas partes do acostamento, e isso é mortal pra speed, e cabaço como sou, tentei desviar ao invés de invadir a pista de carros. Numa delas o pneu da frente furou… demorei pra perceber pois estava tão concentrado no pedal que achava que a trepidação da bike era por causa da estrada ruim… paramos no gramado atrás de uma placa, pra ficar escondido mesmo, tiramos a câmara e o tempo começou a fechar, até perguntei se ia chover…
Colocamos a minha câmara reserva, mas ao colocar de volta na estrada, vi que o pneu estava pra fora na parte próxima do bico. Voltamos pra “oficina”, mexemos, bombeamos (e lá vai meu braço), ficamos 1 hora naquela brincadeira! … o problema das bombas de mão é que balança muito, e isso pode rasgar ou quebrar o bico da câmara… dito e feito, a p@#%@ do bico rasgou… a câmara era novinha…
Pegamos a câmara furada e consertamos com adesivo e colocamos de novo, só que agora com cerca de 90lbs pra não ferrar de novo com o bico… eu até sugeri voltarmos, mas o Wagner queria tentar… tudo bem, pois ele não conhecia a trilha, estávamos tão perto…
Entramos na trilha, subimos, descemos, descemos, descemos, descemos uns 5km até que PSSSS! o pneu traseiro furou! Detalhe, nesse momento estava já garoando. Sentamos, choramos, fizemos reza braba e pegamos a câmara reserva do Wagner, pq as minhas já tinham ficado lá atrás. O problema é que a câmara não era reserva e sim uma câmara furada que ele disse que daria pra rodar até murchar de novo… oi?
Nessa hora dois grupos de ciclistas passaram por nós, deram opinião, conversaram, tentaram ajudar mas sabíamos que já era, para nós o treino havia acabado. Mas eu estava feliz.
Colocamos a câmara quebra-galho (ops, reserva) e começamos a subir a trilha de volta à Imigrantes. Liguei para o meu irmão nos buscar num ponto de acesso fácil e começamos a pedalar os 5km morro acima, e que morro! FDP! Não deu nem 100m e o pneu traseiro furou de vez! Xinguei e comecei a empurrar, e o Wagner com toda a paciência do mundo…
Sabe aquelas corridas de rua, 5k, 10km, Pão de Açúcar, Ayrton Senna etc? Sabe triatlon? Pois é, para mim só faltou nadar, pois pedalei, andei subindo a serra empurrando a bike na chuva e neblina… água já tinha, faltava nadar! No total tive que andar 7km até encontrar meu irmão que veio nos socorrer.

Engraçado como que de carro tudo fica muito mais fácil… da próxima vez vou descer a serra de carro mesmo…

Prejuízo: 2 câmaras, 1 adaptador de bico (ficou preso no bico da câmara furada), bike toda suja
Lições aprendidas: speed não é mtb, fita anti-furo funciona sim (o Wagner usava e não teve nenhum problema)

Estou feliz apesar de tudo, vimos que é possível fazer essa viagem de speed, que tenho fôlego pra acompanhar um speedeiro, e aproveitei um domingo!

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Bike – Sampa-Santos – estrada de manutenção da Imigrantes 2

Esta aconteceu em 14/07/2012

E lá fui eu novamente. Gostei tanto da primeira vez, que queria repetir pelo menos mais uma vez. Desta vez chamei o pessoal do trabalho, uns amigos da academia de escalada e um ex-colega de trabalho de uma outra empresa, cada um levando um ou mais amigos. Se antes eram 6 pessoas, agora éramos em 20!

Eu achei que seria tranquilo e rápido, mas logo vi que não seria fácil cuidar de 20 pessoas… eu não era o líder, apenas conhecia o caminho… Haviam 3 mulheres que precisavam de atenção. A maioria já estava treinando para esta aventura, mas duas das mulheres, que diziam já pedalar bastante, na hora do vamos ver mostraram que faltava mesmo força e resistência. Sorte que haviam dois colegas sempre fazendo a escolta delas.

Marcamos o encontro às 06:30h do dia 14/07, e após todos chegarem, saímos às 07:30h fazendo um frio de 9º! O dia estava claro e assim ia ser até o fim: nuvens mas com céu azul e sol. A máxima não deve ter passado de 20º, mas por isso foi muito gostoso. Tivemos logo no início que fazer algumas paradas, pois uma das meninas passou mal e teve que pegar carona com o carro de apoio, e tivemos que esperar a outra, devagar e sempre…

O único caso grave que tivemos foi de um colega que perdeu o controle, escapou de frente e caiu… se esborrachou todo e quebrou a gancheira do quadro… foda, pois era uma Cannondale com grupo XTR… ele conseguiu dar um jeito de ficar só com uma marcha, e foi na frente pedalando até Santos. Outro caso cômico foi que eu atropelei um colega, literalmente. Sentimos dois pontos de perigo: o primeiro foi quando, no final da estrada de manutenção, haviam dois policiais que nos orientaram a pegar a Imigrantes na contra-mão, pois havia tráfego intenso para descer a serra e seria complicado atravessar as saídas para Praia Grande e Guarujá; e o outro foi que antes de chegar em Santos, passamos por 2 favelas que beiravam a Anchieta. Como a galera não conhecia, estavam morrendo de medo achando que íamos passar no meio da Rocinha, kkkk… mas não, foi tranquilo, eu só fiquei com medo pois havia sim uma galera, os caiçaras, de olho. Não é pra marcar bobeira, já que lá sempre passa gente de bike, e todos sabem que se querem roubar bikes, essa estrada é o ponto certo, pois sempre tem um ou outro com uma bike muito boa.

Chegamos em Santos perto das 15h, deixamos as mochilas no carro e fomos almoçar uma bela parmegiana! Depois pegamos a ciclovia até a agência de ônibus na Ponta da Praia e de lá voltamos para nossa querida Sampa!

Ótima trip! Na próxima, estou dentro!DSCN3883 DSCN3892 DSCN3900 DSCN3902 DSCN3903 DSCN3904 DSCN3905 DSCN3908 DSCN3910 DSCN3912 DSCN3921 DSCN3927

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